Intervenção artística de Renata Ibis

Praticamente todo meu trabalho em fotografia autoral é em suporte analógico, tanto com filmes P&B quanto em cores. Trabalho com eles tal como a fábrica sugere, mas também quebro regras. Os fervo, queimo, arranho, os deixo mofar. Experimento. Venho de uma escola de fotografia mais documental (minha formação é em Ciências Socias/ Antropologia Visual) e sempre senti a fotografia como pequenos suspiros, encontros com o outro – aquele que se apresenta à minha frente e que para mim se mostra semelhante. A série Dríades foi feita em filme cor adulterado, através de técnicas que tenho aprimorado em pesquisa desenvolvida junto ao Núcleo de Fotografia da UFRGS, e sugerem esse encontro com o desconhecido. São elementares em forma de mulheres que fixam seu olhar em nós. Buscam uma forma de se mostrarem presentes, de serem existência. Querem ser vistas. Porém, em suas pequenas particularidades, pois assim como são parte de nós (ao se tornarem nossa memória/sonho), elas são únicas. Cada fotografia apresentada nessa série traz esse encontro único. Ele parece ser compartilhado em nossas memórias: enquanto crianças que se conectam com outros mundos ou quando nos questionamos sobre se nossos sonhos seriam realidade. E a escolha do suporte analógico/experimental é por ele também se mostrar surpreendente, imprevisível, etéreo. Porque através do uso dele tenho de lidar com emoções que envolvem sonho e esperança. Em um mundo cada vez mais áspero e distante dos outros.

Renata Ibis

renata ibis.023

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